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 Tipos de carácter – O sentimental

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Isabel
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MensagemAssunto: Tipos de carácter – O sentimental   Sab Jan 09, 2010 4:11 pm

O Sentimental
Características: emotivo, inactivo, secundário.
É fechado e introvertido. Procura a solidão, não gosta de mudanças e novidades. Compraz-se nas coisas habituais e nas lembranças. Cai com frequência na melancolia, é tímido, mostra-se descontente de si próprio e pouco preocupado com o aspecto exterior. É dócil e sensível; uma simples repreensão pode feri-lo profundamente. Tem mudanças de humor lentas, mas profundas. É honesto e geralmente sincero. Conserva por muito tempo, firmes, as tristezas e as felicidades da infância: cada nova experiência se insere nas impressões já enraizadas; há uma continuidade muito forte entre a sua conduta actual e a vida passada. Indeciso e meditativo, não se integra facilmente e é propenso a isolar-se. Às vezes, a introversão muito acentuada pode levá-lo à arrogância, ao menosprezo e à falta quase total de sociabilidade. Falta-lhe senso prático.
Tudo pode marcá-lo profundamente; uma pequena descompostura, um sofrimento, um castigo. Não se adapta facilmente à vida de grupo. Necessita particularmente de um ambiente escolar acolhedor. A sua inactividade leva-o a temer a acção, e a sua emotividade a temer as consequências da acção, passando por indecisões e escrúpulos. Pensa e raciocina com honestidade, mas caoticamente: nos estudos, manifesta pouca inclinação pelas matérias científicas. Sua timidez deve-se frequentemente a uma adaptação afectiva insuficiente.
Modo de tratar: o ambiente familiar é de grande valia do ponto de vista afectivo; é bom que seja um ambiente rico de afecto, mas sem muitos carinhos. Evitar-lhe, durante a infância, tanto as situações por demais penosas como uma atmosfera excessivamente carinhosa e suave. Procurar compreender bem as coisas e as situações que possam feri-lo, para ajudá-lo a esquecer e a aceitar também os fatos desagradáveis sem exasperar-se. Ajudá-lo a viver em harmonia com o ambiente; para isso, é preciso conseguir, enquanto não sair da adolescência, que se interesse pelo ambiente familiar, a fim de que não desanime e venha a isolar-se.
Não combater a introversão em si, mas combater o gosto pela solidão, pelo passado, pelas lembranças infantis, a obstinação por essas situações e o acabrunhamento. Estimulá-lo elogiando-lhe os primeiros êxitos, e rodeá-lo de um ambiente que o ajude constantemente. Usar de muita indulgência: não sublinhar nunca as suas fraquezas, mas propor-lhe uma meta a conseguir, e depois outra, sem deixá-lo pensar que seus insucessos sejam graves.
Dada a sua tendência à inactividade, ajudá-lo a tomar decisões modestas, mas progressivas. A actividade ajuda-o também a livrar-se de seus hábitos e manias; é necessário para isso descobrir quais as coisas que podem interessá-lo e provocá-las. Em qualquer caso, não deixá-lo por muito tempo no ócio contemplativo da leitura ou do diário íntimo. Certificar-se da firmeza dos seus conhecimentos religiosos, a fim de orientar a sua vaga religiosidade para uma religião autêntica.
Captar as suas veleidades, ajudá-lo a determinar-se, encorajá-lo e desfazer os seus “não vale a pena”. Mesmo quando não tem nada de concreto a realizar, fazer com que o seu dia esteja preenchido, e ajudá-lo a superar com decisões autónomas a sua passividade.
Devido à sua intranquilidade, necessita do afecto firme e estável dos que o rodeiam. Evitar as humilhações que ferem a sua dignidade; os sentimentais apáticos aproveitam-se das humilhações para desprezar-se, para afastar-se mais da realidade; os sentimentais activos, para conservar rancores e ódios.
Infundir-lhe confiança e coragem constantemente, mostrar-lhe com discrição (ou total silêncio) as faltas cometidas, e facilitar-lhe que se desculpe. No relacionamento afectivo, descobrir a sua sensibilidade, que é muito rica. Há sentimentais que na adolescência tendem ao dogmatismo e à utopia; é necessário revelar-lhes essas atitudes e fazer com que as reconheçam.
“Conhecer o temperamento dos filhos”
(Anna Maria Costa, in “Conheça seu filho”, 3ª edição, Quadrante, São Paulo, 1995″)
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